
Como citar este artigo: Saletti Filho, H. C. (2026). Do exame à arquitetura avaliativa: Uma revisão crítica sobre o papel do OSCE na educação médica contemporânea. Revista do Professor de Medicina, 1, e2026001.
Resumo: O Objective Structured Clinical Examination (OSCE) consolidou-se, ao longo das últimas cinco décadas, como um dos métodos centrais de avaliação da competência clínica. Contudo, sua adoção global tem sido acompanhada por debates que ultrapassam a dimensão técnica, alcançando questões históricas, pedagógicas, éticas e epistemológicas. Este artigo apresenta uma revisão crítica que integra diferentes correntes teóricas e empíricas, examinando o desenvolvimento do OSCE desde sua formulação por Harden e Gleeson até seu reposicionamento em ecossistemas avaliativos contemporâneos. A revisão, de natureza narrativa e interpretativa, organiza-se em cinco eixos: (1) gênese histórica e problemas iniciais do exame clínico tradicional; (2) padronização e difusão do modelo OSCE; (3) críticas pedagógicas e sociológicas que problematizam sua estrutura performativa; (4) vieses e desafios de justiça avaliativa; e (5) perspectivas futuras, incluindo avaliação programática, inteligência artificial e novas métricas de qualidade. Os achados indicam que, embora o OSCE permaneça valioso como fonte estruturada de evidências, sua centralidade como exame definitivo é progressivamente substituída por abordagens sistêmicas baseadas em triangulação de métodos, julgamento profissional qualificado e governança avaliativa. Conclui-se que o OSCE deve ser compreendido como componente de arquiteturas avaliativas complexas, cuja efetividade depende menos da eliminação da subjetividade e mais de sua integração responsável, transparente e pedagógica.
Palavras-chave: Exame Clínico Estruturado Objetivo, Educação Médica, Competência Clínica, Avaliação Programática, Inteligência Artificial